Saturday, January 14, 2012

(género masculino) - amar é?

(género feminino) - contraproducente, terminaria eu.
- a razão de se desistir, do que sabemos ser bom, é intimista.
coisas que falam.
assim se tornaram as pessoas.
ao falarem de coisas.
Às vezes, perdemos a voz.
Outras, o coração.

Friday, January 13, 2012

não saber pedir as coisas, depois dos 7 anos, é patético.
talvez o amor.
se calhar, nada.
depois chegam as pessoas a quem temos dado demasiada importância.
deveria haver um direito universal:
à estupidez.
as horas a passar, o comboio cheio e lisboa sem fim.

a simpatia perante o nosso reencontro.

o meu comigo própria.

como critério, algo saboroso como a verdade.
no império da vaidade ela atreve-se a ser lua.
apetece-me abraçar as pessoas que têm o descaramento de dizerem que são perfeccionistas.
hoje cheira a domingo.
há pessoas que me oferecem comida.
outras que respiram o mesmo ar que eu.
ousadas. as pessoas.
se me podia fotografar.

fingi não entender.

às vezes, tenho medo do barulho da luz.
No contexto,
pedi que as flores fossem para trás.

Nas palavras de um funeral.

Saudades tuas no meu corpo.
Mais um à parte.

A tentativa de ficar.
Mais um Natal.

De resto, o vento no fundo do ar.
Envolto numa falsa presença.
dimanche.
ligadas a pessoas que estão longe de mim e de que eu gosto tanto.
aceitar é pior do que saber.
quando nos começamos a sentir bem em relação às coisas, começa a parecer preocupante.
outras vezes, esqueço-me de por vírgulas.
as vezes o futuro compensa pouco as recordações imperfeitas.
as pessoas dizem coisas absurdas.
a profundidade da despedida deixa-me agoniada.

Tuesday, July 26, 2011

a solidão não me aborrece como o excesso de companhia.
Não me garante o instinto ter sido criança.
Os objectos espalhados na cozinha, enquanto as pessoas conversam, conversam aos pedaços, aos objectos.

Thursday, March 17, 2011

Em Maputo a lua é feita de papel.

Tuesday, December 21, 2010

sou incapaz de comprar livros por solidariedade.
We are while we´re dreaming.

Wednesday, December 15, 2010

Lobo Antunes sabe, como sabia Flaubert, no fim da vida, que "a puta da Bovary vai viver e eu vou morrer".
Adoro dias de chuva.
Por "com"-sentir recordações ainda por viver temos de nos permitir cair.
a strange and fragile time.
When you love someone, you don't want them to suffer at all.
Heaven can wait
and hell’s too far ago
Somewhere between
what you need and what you know.
tradução para dinamarques de misógino - Lars Von Trier.
Tenho uma certa dificuldade em ser fútil - para grande dissabor meu.
Gostava que, de uma maneira geral, as pessoas não me pusessem a par dos seus desgostos de amor.
שובר אליל significa iconoclasta.
Sinto-me muito mais próxima dos mortos do que dos vivos.
Descobri aos 15 anos que as flores também morrem.
Há dias em que nao saio de casa.
How sad is true?
don´t patronize me.

Tuesday, December 14, 2010

People should be as they feel.
Can we delete days?
Recomecei a ouvir Chopin.

Monday, November 08, 2010

palavra do dia: vazio

Saturday, November 06, 2010

palavra do dia: "inacreditar".
a tristeza pega-se.

Friday, November 05, 2010

how soon is now?
palavra do dia: dilacerada.

Monday, November 01, 2010

There is something in my unconscious truths.
Fortunately - always with perseverance - emotional tenderness distracts me from symbolic moments that do not return or choose who makes them feel.
is there a way to justify, apologize or correct myself?
The regained time do not give me, by any chance, the false but legitimate way to suffer pain.
I decided to live within myself.
In my silence, I always dream the same dream - that secret behaviors would emancipate me as passengers seasons.
Going the same way back as they come for the very first time.
Throughout my life, I encountered several concerns.
Concerns may be familiar and at the same time volatile as individuals can be.
I do not recognize them as an extension of my virtues.
On the contrary, I always felt, in a virtually sense of false behavior, that to be is much more similar to find a way to forgive ourselves of being.
palavra do dia: resemblance

Sunday, October 31, 2010



I like to feel his eyes on me when I look away.

Saturday, October 30, 2010

undercover tone of my body in a thousand drops of rain.

在最近的评估,
我的团聚对光线,
霸菱的灵魂
人体自身的重量
Decisions, apparently minor, will lead us inevitably to crucial ones.


Shall I close the curtains?
rests in the sky the shadow of an entire city.
the sound of rain on the water.
Creio não ser determinante salientar diferenças entre a importancia de uma decisão e a falta da mesma em outra.

Decisões, aparentemente menos importantes, conduzir-nos-ão inevitavelmente a outras cruciais decisões.
a neve tropeça.
Together means To get her.


"Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros).

Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha, nem ela julga que eu tenho.

Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.

Como o panteísta se sente árvore [?] e até a flor, eu sinto-me vários seres. Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens, incompletamente de cada [?], por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."
I´m sad.

Friday, October 29, 2010



I am very much aware of my own double self.

The well-known one is very under control; everything is planned and very secure.

The unknown one can be very unpleasant.
I think this side is responsible for all the creative work — he is in touch with the child.
He is not rational, he is impulsive and extremely emotional. Perhaps it is not even a "he," but a "she."

(momento registado em Pequim)
Minhas desequilibradas palavras são o luxo do meu silêncio.

Thursday, October 28, 2010

i love my i-pod!
saudades
tuas.
muitas.
sempre.

Tuesday, October 26, 2010

Pourtant quelqu'un m'a dit que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais ce possible alors ?
Guido: Happiness consists of being able to tell the truth without hurting anyone.
I am not a sex addict.
In front of a camera, I feel solid, satisfied. Away from it I am empty, confused.
i miss Marcello Mastroianni.
Word of the Day: solitude.

Monday, October 25, 2010

a primeira noite em que sonhei contigo.
uma vida tão simples e tão cheia de sentido.

Sunday, October 24, 2010

“Those who danced were thought to be quite insane by those who could not hear the music.”
sometimes I fell lighter than the air.
AgraDEUSo.
I need your arms around
I need to fell your touch

I need your understanding
I need your love so much

You tell me that you love me
You tell me that you care.

Saturday, October 23, 2010

Lobo Antunes himself apparently agrees: when the Times called for a comment on Saramago’s victory he grumbled that the phone was out of order and abruptly hung up.

Friday, October 22, 2010

The biggest room in the world is the room for improvement.

Thursday, October 21, 2010

Não sei se me faço entender, embora entenda com tanta facilidade o que acabei de escrever.
através de sonhos reinventados,
mantenho, em meia brasa, a meia metade percorrida da
outra metade de um sonho
por sonhar.
Provoco,
na imediata constatação,
o meu reencontro contra a luz,
despindo da alma
o próprio peso do corpo.

Desse processo,
onde as horas passam - por mim -
Transformadas em vírgulas, no interior da cessação de movimento, ganham vida e circulam palavras,
como forma de inocente salvação expiada.
Não porque não quisesse.
Não porque não soubesse.

Mas se calhar,
podendo calhar bem,
no confronto com certos egoísmos
e calhava sempre bem,
podia,
esse mesmo escritor,
fazer-se valer da reabilitada desculpa escrita de que nos servimos,
em não querer, entre várias coisas, dividir
lugares pretensamente comuns,
naturalmente dissolvidos por promessas verbais,
na côdea de um silêncio destoante.
Ontem poderia ter sido Quinta-feira. Que não foi.
Hoje poderia ter sido véspera desse dia. Que também não foi.

Mas entre nós, na duração translativa de ontem em hoje,
sonhei pela primeira vez contigo.

Definido como lúcido esse meu sonho,
explorando a própria mente e a violar as regras da minha vida desperta,
na vaga lembrança de ter superado restrições com algum sabor a felicidade.

E sei que entre ontem e hoje,
entre nós,
nunca poderei ser acusada de falta de coragem,
porque percorri com dificuldade e com os meus próprios pés
quilómetros que me levaram às portas das minhas fragilizadas emoções,
sem trazer resquícios de um sentimento que também julgo ter sido teu,

como

álbuns de fotografias por tirar,
com rostos despercebidos
que poderiam ter sido os nossos,

ou rascunhos por escrever,
de um amor vivido entre dois corpos,
debaixo das sombras quentes de Verão

ou simplesmente,
palavras rápidas e estimulantes deixadas no gravador,
que poderia muito bem ter sido o nosso.

Apesar de tudo isso,
das minhas melhores recordações,
evitei perder de vista toda a bagagem,
ou os passos demorados que poderíamos ter dado debaixo da chuva,
ou o aroma de sal dos nossos corpos se tivéssemos percorrido a areia de todas as praias.

Mas mesmo assim,
no final de todas as contas por pagar,
cravei no meu coração a ilha onde fui feliz.
Porque também sei ser feliz,
no meio de um dia qualquer, mesmo que não o de uma Quinta-feira.
E sei do sabor da última fatia de felicidade que teria saboreado, se eventualmente estivesse estado lúcida nesse meu sonho, ao teu lado.
No compasso do silêncio dos violinos,
Reformulando o tempo das notas de orações,
Há quem
Por ti reze
Linhas de partituras inacabadas
de futuros imperfeitos desejos.
E nessas madrugadas friccionadas
Há quem
Por ti reze
Desabrochados restos disfarçados do meu corpo em timbre de mil gotas de chuva.
invisível és tu.
nessa tua maneira de o seres
cidade minha, onde à minha volta vejo reflexos espelhados deste mais pálido e teu desconcertante amor.
A few times in my life I’ve had moments of absolute clarity, when for a few brief seconds the silence drowns out the noise and I can feel rather than think, and things seem so sharp and the world seems so fresh. I can never make these moments last. I cling to them, but like everything, they fade. I have lived my life on these moments. They pull me back to the present, and I realize that everything is exactly the way it was meant to be.
Foste-te embora.
Tambem me poderia ir embora.
Uma decisão assim tão facil de tomar.
E nesse eixo de me ir embora - de poder nao me ir embora, acabei por ficar.
a partir do momento em que tentava dizer alguma coisa era invadida por uma sensacão que se esgotava em si própria.
I don´t like to arouse him emotionally.
Thinking about it in the morning and keep thinking about it for weeks, without leaving a trace of myself.

And you can always go back.
Now the question is, once out why go back?
That has to do with the credibility of reality.

You have to go back and see what your reality is.

In fact through dreaming you have the opportunity to tolerate some of the unchangeable hardships of life.
Adormecíamos corpos com a agileza do nosso sentimento que apenas se podia chamar naquele tempo.
You get mistaken for strangers by your own friends
when you pass them at night under the silvery, silvery citibank lights
arm in arm in arm and eyes and eyes glazing under
oh you wouldn’t want an angel watching over
surprise, surprise they wouldn’t wannna watch
another uninnocent, elegant fall into the unmagnificent lives of adults.
isto está-me a fazer lembrar algo que ainda nao aconteceu.
Ainda nao percebi porque é que as pessoas nao aprendem como segunda língua a gestual.
Fui ridiculamente feliz em Maputo.
O D. ligou-me do Malawi e falou, conforme combinado, hebraico comigo.
palavra da noite: Psicoterapia.
La timidez es una condición ajena al corazón, una categoría, una dimensión que desemboca en la soledad.



às vezes, apetece-me morrer 5 minutos ao longo de um dia.

Wednesday, October 20, 2010

palavra do dia: execrável.
há palavras que nao devemos interiorizar sob pena de aprendermos a sentir o que elas realmente significam.
apesar de tudo, I still believe that people are good at their heart.
lembro-me frequentemente de
coisas, pessoas, estados, fases da minha vida que nao fazem mais parte dela.

how strange is that?
pedir desculpas é uma responsabilidade que quanto mais tentamos evitar, melhor.
Acho que tenho vergonha de perguntar o que significa arredada.
a primeira vez que me pediram em casamento
andava a ler Nabokov,
fumava 5 cigarros diários,
ouvia velvet underground.

a última vez que me pediram em casamento
andava a ler Philip Roth,
fumava 20 cigarros diários,
ouvia depeche mode.

entre a primera vez e a última o meu cabelo cresceu.
tic tac cardiaque.
Dias,

restam,
chegam,
partem,
são,
acontecem

sempre.
I
I believe in miracles.
I believe in God.
I believe in love.
I believe in fragrances.
I believe that you can conquer the word by just closing my eyes.
I believe in you.
este Outono
mais tímido na absorção da frágil temperatura do retorno da cor.
I´ve learned that people will forget what you said, people will forget what you did, but people will never forget how you made them feel.
Sadness - It´s easy to cry when you realize that everyone you love will reject you or die.
I´ve been dreaming of love.
uma pessoa esforça-se por fingir que acredita que vai ser feliz para sempre.
A felicidade é teimosa.
I´m not sure if my body understand it.
How can I go back to my life?
O ponto de partida.
O ponto cruz.
O ponto de encontro.
O ponto de equílibrio.
O ponto caramelo.
O ponto da situação.
O ponto final.
O ponto de chegada.

Dos pontos que desconheço encontro-me entre o ponto de chegada e o ponto de equílibrio.
A ideia dessa noite subtraiu o cheiro à memória,
de uma noite tal e qual outras
que se evaporaram por dias na penumbra da doce madrugada.

O ponto de chegada, partindo do cru da ideia, não revelou ser mais do que um local de uma cidade com-fim por onde passavam, sem deixar vestígio de poros, lentamente um ou outro carro pronto a partir para outro ponto de partida.

As histórias reinventadas não passavam de secretas fórmulas de onde se esperava um resultado com um final feliz.
À descoberta de um segredo foi aliada a vontade de se contar outro, sobre o qual se misturou o etílico de uma juventude dentro de um sentimento gasto, velho, pouco veloz e disforme.
os melhores escritores são os que deixaram de escrever.
O frio, como sinal de civilização, obriga as pessoas a estarem em casa, construírem o seu conforto, procurarem as suas referencias e idiossincracias.

O calor deixa-nos vagos, sujeitos ao delírio febril, à falta de método, ao torpor e esquecimento.
pedimos as coisas certas de modo errado.

Tuesday, October 19, 2010

cidades que nos devolvem o afecto de fazermos parte delas.
os lugares que nos fazem sentir ainda mais sós.
qualquer coisa qualquer como qualquer coisa.
o inverso da totalidade é um pouco mais do que o nada.
o que poderiamos ter dito às pessoas de quem nao nos despedimos?
Resgatei memórias fisicas em albuns de viagens fotográficas.
Maputo é a cidade das janelas bonitas.
como suportam as coincidencias o peso da sua felicidade?
está para morrer desde que nasceu.
Taiwan
Tailandia
Toquio


isto so pode ser poesia.
meu bel prazer.

Monday, October 18, 2010

Alors on chante.
Alors on danse.

Monday, October 11, 2010

Descobri que os pontos de exclamação são pequenos saltos que damos no final das frases.

F. encontra-se em contenção exclamativa.
agora quando me dizem
serem capazes
de me fazer feliz
eu só aconselho a terem calma.
As minhas nevralgias sofrem de insónias - se calhar é o contrario.
Eu fumo
Tu fumas
Ele fuma
Nós fumamos
Vós fumais
Eles fumam.


No meio de tudo isto, quem é que despeja os cinzeiros?
We have no more beginnings - George Steiner.
o presente nem de transição pode ser insultado.
a melhor relação que se pode ter seja com o que for é a de nostalgia.
o amor é eterno enquanto dura.
Certos lugares querem dizer-nos alguma coisa ou estão para dizer alguma coisa ou alguma coisa nos disseram que não deveriamos perder.

Esta eminencia de uma revelação, que não se produz, é o facto estético de que o agora passa muito depressa.
Li algures - e ainda não sei se concordo - que as nações escolhem para que as representem escritores que não são parecidos com elas.
A desvantagem
na contagem dos dias
reside na descontagem das noites.

Saturday, October 09, 2010

Dogs have Owners, Cats have Staff.



I felt in love with a misogynist.
Todos os pecados dos noivos sao perdoados no dia do casamento.
- Casei-me muito cedo e, por conseguinte, nao vivi a mocidade.

isto pode servir de desculpa para qualquer coisa.
Nao gosto muito de viver na cabeça das pessoas.

Thursday, October 07, 2010

The Nobel Prize has not been awarded yet.
Por estas e por outras chove lá fora.
ideias soltas:

1/ oferecer rebuçados a pessoas amargas.

2/ ir comer um bolo ao Nautilus

3/ premoniçoes

4/ nao me esquecer de levar o meu Ipod para Shanghai.

5/ "Nao posso acreditar que antes de te amar saiba que vais morrer." F.

6/ Ele nao bebe café

7/ encontravam-se todos os Veroes e dormiam juntos.

8/ "Está para morrer desde que nasceu" F.

9/ distancia permite observaçao.

10/ comprar chocolates para o N.

11/ oferecer os presentes ao meu sobrinho A.

12/ ler a Ignorancia de M.K.

13/ Sandes A Judia - ingredientes: queijo creme, salmao fumado da Noruega, abacate, cebola, tomate, pimenta fresca e limao.

14/ "No vodka tónico esprema um pouco de limao" F.

15/ CBP - Camada Baixa da Populaçao

16/ Mulheres da vida dos homens que gostamos

17/ Chove lá fora.

18/ a cidade das janelas bonitas.

19/ pessoas que gostam de comer sobremesa

20/ Tamarah será o nome da minha primeira filha.

21/ abrir a porta.
Nao sei se P. Roth se adaptará a Maputo.
Dúvida existencial: como trazer todos os meus livros para Moz?
uma entrevista de trabalho e uma ida ao cemitério para me despedir do meu avo.
entre uma e outra,
passar pelo espelho,
olhar-me nos olhos,
e suspirar.
palavra do dia: melancolia.
pequenos nadas:


1/ Nunca conseguirei entender como é que amigos se "apaixonam" por amigas.
E sou capaz de legislar nesta matéria.

2/ fotografia é luz.

3/ Nao me atraem homens que nao gostem de S. Paulo.

4/ Da janela de minha casa, reparo na barriga dos corvos que planam a cidade.

5/ ler Uma História de Moçambique

6/ o ciúme nas províncias de M.

7/ o som dos objectos.

8/ apenas se deve comer salada de fruta de manha.

9/ as formigas tem memoria colectiva.

10/ ler sobre animismo

11/ as relaçoes nao passam de aquedutos que nos levam a solidao.

12/ rever Requiem for a Dream

13/ ver A Single Man

14/ Se dissermos as coisas como as pessoas querem ouvir, elas entendem-nos

15/ cha Five Roses

16/ alperces, mangas e ovos mantem a beleza natural da pele

17/pos sincronismo

18/ François Ozon

19/ rezar a todos os Santos que o ALA viva mais 100 anos.

20/ mandar rezar uma missa por JLBorges

21/ informar os meus explicandos porque razao o mes de Fevereiro tem menos dias relativamente aos outros.

22/ os golfinhos fazem sexo por diversao

23/ ver Valsa de Bashir

24/ vivemos na província da solidao

25/ gosto de pessoas emocionalmente frageis

26/ transmitir a pessoa que se sentar ao meu lado no aviao que ficarmos calados nao faz mal a ninguem.

27/ comprar ultimos presentes que me faltam

28/ passar na livraria e ir buscar o livro que nao comprei.

29/ abraçar o meu pai e dizer que ele é o homem mais bonito do Mundo

30/ dizer a minha irma que vou sentir muitas saudades dela. Parte-se-me o coraçao.
eu sei que existe
uma relaçao entre a melanina e a falta de sono.
sou doutorada em insónias.
uma pessoa pode ter como objectivo de vida comer um prego no prato.

Wednesday, October 06, 2010

Combalida.
Nem sei muito bem se esta palavra existe.
Mas é como me sinto.
Aproveitou-se do resto de ar nos seus pulmoes e respirou que eu era feia.
se tiver a capacidade para me desconfiar judia sou menina para me converter.
assim, num abrir e fechar de olhos.

o pior de tudo é que a ideia nao me desagrada.
o melhor de tudo é que sei cantar uma musica em hebraico.
se tiver a capacidade para me desconfiar judia sou menina para me converter.
assim, num abrir e fechar de olhos.

o pior de tudo é que a ideia nao me desagrada.
o melhor de tudo é que sei cantar uma musica em hebraico.
nao se roubam segredos.
há qualquer coisa de particular
na maneira dele.
sobretudo na de olhar para mim.

fico com a sensaçao de que ele fica a espera que alguém apague as luzes.
e as volte a acender.

como eu gostava de permanecer neste imperfeito pretérito.

cantar-lhe duas ou tres músicas enquanto procuro agua.
morna.

como eu gostava de acreditar em qualquer coisa que ultrapassasse o conceito de convicçao.

ele fica ali.
a desaparecer na triste estética dos trópicos.
e se me volto, nao me torno a ver.
e sinto uma dor pungente a substituir-me o coraçao.
os homens nao conseguem ficar calados.
transformaram-se, no decorrer do tempo, nas novas mulheres.
estou rodeada de crustáceos (homens caranguejos)

nao é nada fácil gerir a minha vida.
a ressaca de tabaco é daquelas coisas que me faz acreditar que um dia vou deixar de fumar.

Tuesday, October 05, 2010

dor reflexa.
nunca na minha vida,
nem mesmo que seja possível morrer,
irei escrever assim como ele.

transtornada.
imbuida nesse falso sentimentalismo.
depois acordo.
e vivo o meu dia a dia com a sensaçao de que no Inverno faz frio lá fora.
os homens com olhos claros, veem o mundo de modo mais claro?
Regressei a campa do meu avo,
com perfeita consciencia que estava a regressar.

nao sei nem tenho a pretensao de querer saber,
nao sei se regressar tem implicacoes na descodificacao da dor no nosso corpo.

Regressei, pisando a areia com que foi lavada a laje de marmore da campa do meu avo.

Sem hesitar, quase sempre sem respirar.
Ao lado de pessoas estranhamente familiares.

O melhor de tudo veio ao de cima.
Na direccao contraria.
Chorar, por alguém, é a forma mais incondicional de se ser.
Chorar, por alguém, a frente de alguém, é a forma menos condicional de se ser.


Se ao menos tivesse preferido que me tivessem aberto o corpo e comido as vísceras.

Se ao menos pudesse ser uma pessoa completamente diferente, sem laços, afecto,amor. sem emoçoes.

Se ao menos pudesse, em vez de amar, usar o meu coraçao para outros fins.
outros propósitos.

Há qualquer coisa de perverso na dor que se sente por causa de alguém.
sobretudo de alguém que a dado momento nos tenha oferecido a sensaçao de nao estar mais aqui presente.

Se ao menos hoje pudesse ter fingindo chorar as minhas lágrimas por alguém que nao conheço.

É isso que me incomoda.
Sobretudo em mim.
Saber que há pouco espaço para ser reinventada uma nova pessoa.
Sem laços, afecto, amor.
sem emoçoes.

Vou deixar-me de sentimentalismos e ler um pouco O. P.
Estes turcos nao me deixam sossegar.






posto isto, quais virgulas, quais acentos, quais regras.

Monday, August 30, 2010

www.therighttea.com

Monday, June 14, 2010

Antidepressivos

O melhor antidepressivo ainda é: três horas de conversa burguesa entre amigos ávidos por dizer a melhor frase da noite.
As teorias da amizade são um obstáculo à amizade. Nunca nos podemos esquecer disso. O excesso de especulação deixa sempre incomodados os nossos amigos que, com razão, não estão interessados em ser cobaias das nossas pesquisas falíveis. Para evitar equívocos e para nossa própria segurança, talvez seja mais prudente pensar que a amizade nunca é o que poderia ser nem o que deveria ser. É apenas o que é ou não é. Os idealistas e os moralistas arriscam-se a ter poucos amigos.
Por que será que mudamos de passeio sempre que reconhecemos à distância um antigo amigo do liceu que não temos vontade em rever? Receamos o embate com o passado, o protocolo embaraçoso, a falta de assunto? Pensamos que regressar àquele mundo perdido seria sempre difícil e doloroso?

Talvez devêssemos admitir o contrário. Se nos afastamos não é porque nos tornámos noutra pessoa, enquanto o nosso antigo colega permanece igual. Se o evitamos é porque temos receio que ele tivesse mesmo mudado, ao passo que nós continuamos rigorosamente como éramos. Vinte anos depois, temos menos estofo para comparações.

Wednesday, June 09, 2010

como se descreve 1 assobio?

Wednesday, May 26, 2010

A Dulce da contabilidade almoça sempre com o marido no refeitório. Leva-lhe o tabuleiro, tempera-lhe a salada, arranja-lhe o peixe. Ele fala de futebol e de automóveis e só tira as mãos dos bolsos quando tem a paparoca prontinha à sua frente. Chama-se Adão e é chefe do economato. Pela postura, inchada e insuportável, percebe-se que se tem em grande consideração. Julga-se merecedor de certos privilégios e de tantas mesuras. Gerir resmas de papel e contar tinteiros para as impressoras, mais do que o reconhecimento das chefias, confere-lhe estatuto conjugal. Ele é o chefe do economato e do lar. Há que preservar a superioridade do macho e a resignação da fêmea. Estou mesmo a ver a Dulce, ao serão, em frente do televisor, enfiada num roupão fresco de terilene, a cortar-lhe as unhas dos pés. Ele, de cavas, esparramado no sofá de napa, aos gritos cada vez que a pobre lhe corta um espigão. Há mulheres que mereciam ser açoitadas até à morte.

Wednesday, May 19, 2010

quando eu for grande, quero ser como a minha mae!
eu também quero por aparelho nos dentes.

Monday, May 17, 2010

Macau - Lisboa - Brasilia.

Saturday, May 15, 2010

who took the last valium?

eu devia ter nascido com tendências para me encharcar em comprimidos e álcool. É que isto de tocar a vida para a frente toda sóbria tem dias em que não se aguenta.
A minha vida é uma telenovela de Manoel Carlos.
(so pode)

Tuesday, May 11, 2010

Se calhar, para fazer mais sentido, ficaria aqui bem, caso nao dispusesse de uma memoria-medio-prazo, o nome da primeira pelicula de Woody Allen que despertou o meu curioso olhar e me fez interessar por esta viagem à volta do seu mundo, a meu ver, bastante particular.

Convem sempre ter em conta que, para mim, ter como preferencia algo ou alguem em detrimento de algo ou alguem é um processo que, a partir do momento em que se torna necessário, é extremamente meticuloso.

Começo por ter em consideraçao factores que me fazem sentido ter, como a analise debruçada do contexto psicologico de quem inicia o processo de criaçao.

Woody Allen é, sem sombra de duvida, um dos meus realizadores preferidos, mas dentro de uma multidao, posso garantir com todas as minhas forças, que ja nao sao muitas, visto serem quase 4 da manha, que é o unico que me faz muito feliz, se calhar como poucas pessoas, à minha volta, conseguem.

Uma felicidade feliz,
descomprometida,
singular e bem disposta.
lentamente morre um computador.
(daí a falta de acentuaçao nas palavras)
Na minha lista interminável de preocupaçoes - que se calhar nao correspondem as preocupaçoes basicas do ser humano - já aqui partilhadas, figura a de muitas vezes nao querer abordar determinados assuntos por me faltarem as palavras certas.

Por conseguinte, venho por este meio, partilhar com os meus comuns, que a partir de hoje posso escrever posts intermináveis sobre a minha encarregada de gestao domestica.

Essa linda senhora com ascendencia espanhola que arruma (tao bem) as coisas que eu insisto em desarrumar.

Um bem haja para a minha encarregada de gestao domestica!

Tuesday, May 04, 2010

é preciso dizer que nao mesmo que se reconheça um sim.

Tuesday, April 27, 2010

vou celebrar o meu trigésimo aniver na cidade proibida!
tenho muitas saudades do meu querido avo M.
:(
se calhar, gosto tanto de vinho porque nele residem pedaços de verdade.
ai ai ai ai ai.
com isto disse tudo!

Tuesday, April 20, 2010

Ter cem por cento num exame deixa-nos a modos que dizer ... meio envergonhados!
:)

Saturday, April 17, 2010

De certa maneira, o tempo devolveu-nos algo que, afinal de contas, nem sempre tivémos.
Não podia ser atribuída mais verdade a esta constatação.
Os laços demasiado frouxos soltam-se e os demasiado apertados quebram-se - sempre assim pensei.

Entre tantas coisas, conquistámos a decisão em sermos sempre honestos um com o outro, sem que isso nos toldasse a memória, por outro lado manifestámos a facilidade em recomeçar a brincar, sem que no fim do jogo alguém saisse sentimentalmente lesado e sem duvida, congratulámos a necessidade, quase que secreta, de nos mostrarmos frágeis, mesmo que com isso, corressemos o risco de ser sobejamente avaliado o nosso riso idêntico que nos moldou o semelhante humor.

O facto de eu ser filha dele e ele devoler-me o laço ao ser meu pai é uma parte especial da minha vida.

Há uma certa ironia em insistirmos em não sermos parecidos.
Se calhar, resume-se ao facto de, desde que existimos como consanguineos, sermos constantemente sujeitos a avaliações comparativas, sempre que nos distraimos e revelamos a nossa tendência de carácter.

Ao longo das nossas vidas, apontam-nos parenças, e sempre que o fazem, nós limitamo-nos a disfarçar uma película de satisfação.
Seremos parecidos? - e reviramos os olhos a disfarçar uma certa arrogancia caracteristica.
Porque, se calhar, somos parecidos, apesar de à primeira vista não o pretendermos, tal é a nossa vaidade e segurança no mundo a que pertencemos.

Neste último ano que passou, tornámo-nos ainda mais próximos, mesmo que tenhamos contribuido para que intímas opiniões se distanciassem por via da nossa capacidade de argumentação e tenhamos ficado horas que passam como horas, a rir-nos imaculadamente o mesmo riso tangível de amor, que nos atribui a possibilidade de sermos especiais, nos nossos momentos de cumplicidade.

De facto, ter regressado a Macau, apenas se deveu a querer estar próxima dele, do seu campo de observações, da preemente necessidade que sofro e que em mim pulsa, tal como amanhã, ao considerá-lo, depois de mais uma ou menos uma avaliação, o melhor ouvinte de todos os tempos.

Não podia ser outra pessoa, a ocupar o seu lugar.
Nao podia ser mesmo outra pessoa. Seria muito infeliz.
estou com uma certa dificuldade em escrever.
não que não tenha rigorosamente nada para dizer.
mas persegue-me a sensação que quer diga o que quer dizer no lugar de ficar calada, ficarei muito aquém da realidade dos meus factos.

Tuesday, April 13, 2010

Com falta de ar, sobrevivia, entre tantos vestígios, a secreta ilusão de ter falhado. Não aqui, ali ou acolá. Não à distância de um telegrama ou rascunho de um segredo. Não, não se assemelhava ao erro de uma vírgula, no corpo errado, na distância aritmeticamente mal calculada. Nem ao erro visceral, inequívoco ou popular, onde sempre que se pode, se impõe o espaço temporal para o mais nobre dos arrependimentos.

Sunday, March 21, 2010

as pessoas valem aquilo que não valem.
há um prazer secreto em adiar uma decisão.
como se, no fundo, ao termos que tomá-la - novamente - garantissemos, de certa forma, um retorno ao velho corpo.
- Le Prophet
- Cold Souls
- Julia and Julie
- The Fantastic Mr Fox
faltam-me apenas 2 terços.

Sunday, March 14, 2010

O mundo divide-se entre as pessoas que apreciam jazz e as que fingem apreciar.
Depois há as desgraçadas como eu que não tiveram opção.
Hoje ela disse-me qualquer coisa simplesmente escandalosa como "só penso em sexo". "Poderia ser pior", diria eu, "Não poderia", diria ela, caso nos fosse permitido dizer qualquer coisa escandalosamente simples.
depois tenho amigos que me pedem para escrever cartas de amor para caras-metades.
onde é que isto, afinal de contas, irá parar?
simpatizo com o casal simpático.
logo eu, que de uma maneira geral, não gosto nem desgosto das pessoas.
Certas mulheres acham atraente um homem que se mostre seguro e autoritário. Outras preferem-nos receosos, hesitantes, carentes a tempo inteiro. As que ficam com os primeiros esperam secretamente por um momento de fraqueza, da mesma forma que as que escolhem ficar com os segundos exasperam-se por um sinal de tirania.

Mas nunca mulher alguma se contenta inteiramente com um homem mediano, embora esta pareça ser a fórmula de sucesso da maioria dos casamentos felizes.
Atirando o maniqueísmo às urtigas

Não há pessoas boas ou pessoas más. Há pessoas sobretudo boas mas facilmente corrompíveis, e outras sobretudo más por mera necessidade e circunstância.
o meu pai ofereceu-me uma faca para cortar fruta.
Tempo de reacção é o intervalo que decorre entre o momento em que se recebe uma má notícia e o momento em que se percebe o que isso significa.

Wednesday, March 10, 2010

Se nunca folhearam Chomsky, o problema não pode ser meu.

Tuesday, March 09, 2010

Surround
me
with
your words.

Monday, March 08, 2010

Casos

Manhã cedo. Uma mulher explicava às amigas que o seu vizinho do quinto andar, casado, com dois filhos, andava a dormir com certa loira que também costumava apanhar o comboio das oito e vinte. Têm um caso, concluiu. A mulher falava muito baixinho. Assuntos de encornanço devem falar-se com discrição, com cuidado e tento na língua, que a gente nunca sabe quando a desgraça nos bate à porta. Tive pena do vizinho do quinto andar. Não por as mulheres do comboio virem, logo pela manhã, a escarafunchar na sua vida íntima. Meteu-me pena que o homem tivesse um caso. Antigamente, os homens não tinham casos. Tinham amantes. E tudo era diferente. Ter um amante é uma coisa quase literária. Infelizmente, os amantes estão em desuso. Estão fora de moda. Já não se usam. Ninguém diz que tem um amante. As pessoas agora têm casos. Conhecem-se na internet, nos ginásios, nos escritórios, nas empresas. Ter um caso é uma coisa muito ordinária. Um dia, que seja infiel, exijo ter um amante. Não sou mulher de ter casos.

Sunday, March 07, 2010

arrumar é achar a melhor forma.
Não gosto de ter de admitir que me enganei em relação a uma pessoa, mas, às vezes, isso acontece. A bem da verdade, creio que não cheguei, de facto, a estar enganada, porque isso pressupõe a existência de um erro. Não houve erro nenhum, mas tão-só uma análise continuada de risco.

Digamos que, confrontada com uma criatura na qual, à partida, vislumbrei aptidões mais do que suficientes para vir a comportar-se pobremente, escolhi correr esse risco. É uma forma de defesa como outra qualquer: identificar o perigo e escolher viver com ele ao lado para poder monitorizar os avanços e recuos, analisar as estratégias e (em segredo) divertir-me infinitamente com a mendicidade e falhanço de cada um dos planos ineptos. Os vermes nunca serão capazes de identificar a sua improficiência para passar de ladrões de galinhas a génios do mal. Até para reconhecer o absoluto falhanço é preciso ter capacidades cognitivas que não estão ao alcance de todos.

Saturday, March 06, 2010

Ele - A dor é o sentimento menos egoista.

Ela - Até que ponto, é que a dor, do ponto de vista social, é um sentimento altruísta?
“How can a woman be expected to be happy with a man who insists on treating her as if she were a perfectly normal human being.”

Friday, March 05, 2010

Na verdade, o desgosto não é aquela clara melancolia com que os jovens o definem. É como um assédio numa cidade tropical. A pele cresta-se e a garganta seca como sob o calor do deserto; a água e o vinho parecem-nos mornos na boca e a comida adquire uma consistência de areia; rosnamos a quem nos acompanha; os pensamentos atormentam-nos o sono como mosquitos.

Thursday, March 04, 2010

Há um tipo de pessoas que funciona como as ruas paralelas e perpendiculares às avenidas principais. Não tendo valor de mercado autónomo ou intrínseco, acaba por ver a sua cotação inflaccionada por estar bem localizado.

Wednesday, March 03, 2010

Algumas pessoas e relações humanas são como aquelas velas mágicas dos bolos de aniversário de quando somos pequenos. Acendem.
Mesmo que já ninguém cante nem bata palmas.
Algures entre a inutilidade patética e a empáfia solitária.
Tem a mania que gosta de coisas alternativas.

Tuesday, March 02, 2010

Tenho preferência por pessoas limitadas em relação às demais que não têm noção do seu próprio limite.
António e Mariana conheceram-se no lançamento de um livro de um amigo comum. Cedo identificaram interesses comuns e se uniram numa longa conversa que terminou com um jantar nessa mesma noite. Namoraram durante alguns meses, partilhando leituras, concertos e discussões políticas que fluíam noite dentro. Ao fim de algum tempo, perceberam que, apesar das afinidades, nunca seriam felizes juntos. O namoro acabou, procedeu-se à devolução dos livros e cds deixados na casa do outro, das roupas esquecidas na máquina de lavar. Decididos a evitar reencontros forçados e desconfortáveis dividiram a cidade ao meio, negociaram a custódia de livrarias e restaurantes. Cada um deles teria direito às livrarias mais próximas das respectivas casas e local de trabalho e a Fnac do Chiado — a preferida de ambos — seria alvo de tutela repartida cabendo a Mariana o turno de dia e a António o pós laboral. Tinham regulado o poder sobre Lisboa e evitaram-se, com sucesso, durante pouco mais de seis meses.
Esbarraram um no outro, por acaso, numa livraria em Paris — lutavam pelo único exemplar disponível de um Stendhal, que ele, como um cavalheiro, lhe cedeu — reconheceram, naqueles minutos, os traços que, a início, os aproximaram. E seguiram, separados, depois de assegurarem — seguindo com os dedos os trajectos solitários planeados, no mapa de cada um, para os próximos dias — que não se tornariam a cruzar.

Monday, March 01, 2010

Enganam-se as mulheres sempre que acham que o homem com quem estavam ou estiveram em tempos dormiu com outra mulher por vingança ou provocação. Quem de nós nunca ouviu — de uma amiga ou na mesa ao lado do café — um comentário ente o vitorioso e o indignado, sobre a “galdéria” com quem o “biltre” tinha dormido, só para “me fazer ciúmes”? Que a avidez da dignidade não nos cegue. Os homens dormem com outras mulheres quando lhes apetece e apenas porque elas são (ou, naquele momento e especiais circunstâncias, parecem) mais giras (e menos complicadas) do que nós.
Mas quando me falam de piedade, a menos que se trate daqueles que perderam até a possibilidade de lutar, fico algures entre a perplexidade e o nojo. E fecho a porta. Essa senhora não mora cá.
O importante, quando se vive no circo, mesmo que seja para ser só palhaço, é a rede de segurança.
Sempre que fizer a mala para uma partilha de vida, para um momento ou fracção regados a ternura e entusiasmo, tenha o mesmo cuidado de, no regresso, trazer de volta o exacto conteúdo das suas bagagens. Não há nada pior do que estar pronta para sair para jantar e descobrir que a única mala que vai bem com aqueles sapatos ficou esquecida noutra casa, juntamente com os restos da vida que se tenha tido por lá.
E, de repente, percebemos que determinada coisa — tal qual a concebemos — não é mais do que uma dimanação imaginativa, sem correspondência com os factos ou a iníqua realidade. As pessoas não se “despessoalizam” em nome da proximidade, nem despem o manto de vontades e ambições que carregam. Por isso, é importante ouvir-se com atenção e acreditar (sempre) quando alguém nos diz que não é grande coisa como ser humano. Não acreditar na bolha da perversidade como concepção romântica de instrumento de defesa para almas frágeis ou sensíveis. Não sentir culpa quando — mesmo sem culpa — não temos como aceitar aquilo que uma generosidade pervertida pela visão de proventos futuros despoja aos nossos pés. É da nossa natureza que a bondade só nos roce a pele como um casaco de verão pouco útil, pousado nos ombros apenas para tornar tolerável um vestido que queremos mesmo exibir ao mundo. A bondade, apenas e na estrita medida em que gere reconhecimento, gratidão, e dependência; e, com a propensão humana para a adição, o alojamento de um parasita que carregaremos até ao fim dos tempos.
Não há nada mais triste para a visão que se tenha da humanidade do que concluirmos que preferimos ir para a guerra com um traidor a ir com um tolo. Afinal, de que servem as melhores das intenções (segurando a mais profícua artilharia) se o mais certo é o inepto ao nosso lado ir , a qualquer momento, tropeçar nos atacadores e abrir-nos a cabeça com uma bala irreflectida?
Cada vez que me falam de “não fechar as portas” ou de “deixar todas as portas abertas” não consigo deixar de imaginar a porta mais secretamente desejada: a da rua.
Porque é que uma vida a dois é um projecto essencial a longo prazo:

Ontem, às dez da noite, estive meia-hora a tentar abrir um frasco de grão.
Tenho um amigo que defende que os rejeitados ganham, no momento do repúdio, direito a tudo o resto. Que podem afastar-se do outro, rosnar-lhe até ao fim dos tempos, mudar de passeio quando se cruzarem na mesma rua, cuspir na sopa do outro, barrar-lhe com manteiga a calçada portuguesa à porta de casa na rua inclinada.
A expurgação do pecado de ter dito “não” leva tempo. Concedo. À partida, quem tem o domínio do facto estará em melhores condições para lidar com as consequências do que aquele que está ocupado a tentar sobreviver à dor de cotovelo. E também me parece óbvio que a transformação do desejo em despeito é um percurso natural para atenuar fragilidades.
Só me parece que das prescrições permitidas deverá estar claramente excluída a mentira. Que o infeliz queira fazer vudu com a fotografia da contraparte faltosa eu até percebo. Que enforque o outro nos seus desenhos vezes sem conta, que o odeie por não querer. Mas não minta, não dissemine inverdades criando de si a imagem da pureza preterida. Porque preterir o indesejado não significa preferir o mal ao bem. Quando o enjeitado mente, não odeia o outro: odeia a verdade. A verdade que, a partir daquele momento, é a da sua pequenez.
Não amamos os nossos na singeleza do seu valor intrínseco. Amamos os nossos ainda mais cada vez que (propositadamente ou por acaso) os comparamos com os outros.
A memória é o nosso grande educador. O repositório de um conjunto de experiências e vivências e, anos depois, a fotografia mental (mais ou menos nítida) dos efeitos causados pelo impacto dessas mesmas experiências e vivências. Por isso, nunca esqueço.
Quando alguém nos faz passar por uma experiência ou vivência que justifica a produção (e consequente reprodução), a espaços, de uma memória específica, essa pessoa passa a ser parte num processo que, em alguma medida, produziu uma alteração ao curso normal da nossa vida e à formação linear da nossa personalidade.
Depois daquele momento, somos tudo o que fomos até ali e mais o que acaba de ser inscrito no nosso registo mental por via daquele caso concreto. É esta a razão pela qual não admito, nem aceito, que as pessoas, em vez de assumirem total responsabilidade pelo impacto dos actos que tenham originado, tentem fingir que nada aconteceu e retomar as coisas (e a convivência) do ponto imediatamente anterior.
Quem me trama, também me educa e, um dia, eu vou querer agradecer os conhecimentos adquiridos. Podem apostar que vou.
Há pessoas que entram nas nossas vidas e não saem nunca mais. Há pessoas que ficam à porta. Há pessoas que entram e saem quando bem lhes apetece e sempre sem bater à porta. Eu adoro acasos tanto como odeio aviões.
Vou querer me mudar para uma life on mars.


(dedicado ao João S., de quem tenho saudades)

Sunday, February 28, 2010

i don t care about the chronological order of the facts but rather the emotional impact of the events, because after all is said and done, cinema is just a fragmented emotional experience. Having a profound ADD, my films are not just an extension of myself but a testimony of my virtues, my miseries and limitations too.
rimos ou choramos só porque o vocabulário que detemos para expressar as nossas emoções é demasiado limitado.
El Secreto de sus ojos
Brothers
Agora
Arrancame la vida
Il Grande Sogno


I'm a Gemini, so I change my mind every day.
Ned Plimpton: Why didn't you ever try to contact me?

Steve Zissou: Because I hate fathers, and I never wanted to be one.



Mrs. Dalloway said she would buy the flowers herself.

Saturday, February 27, 2010

talvez daqui a 5 minutos terei uma opinião formada sobre o Tom Cruise.
mãe do céu.
leituras diárias:

the new york times,
monocle,
gonçalo m. tavares.

imagens destiladas:

provas de contacto,
the new york times,


diálogos efervescentes:

wes anderson,
cate blachett,
entre outros.
pela primeira vez
estou ansiosa
que comece a semana.
Os meus amigos fartam-se de rir quando digo que "hoje, fui ao centro".
No regresso, a caminho do Lou Lim Ieoc, almocei dumplings, reencontrei-me com uma amiga dos meus pais, de quem gosto e que já não via há imenso tempo, concretizei uma pequena extravagância, tive uma surpresa, tirei fotografias, não faltei aos meus compromissos, fui ao venettian e finalmente, cheguei a casa.
nos últimos tempos, resolvi aprofundar o meu modo de viver.

ou seja, as coisas que mais gosto de fazer continuei a fazê-las, de um modo constante e regular, na companhia de quem mais gosto.

alterei hábitos que facilmente me tornariam uma procrastinadora em termos psicólogigos.
abandonei trajectos com pessoas que me dizem muito pouco.
comecei projectos com novas vontades, conselhos e reflexões.

descentralizei a minha atenção,
acabando esta por se confluir na minha felicidade.

tenho visto documentários.
descoberto novas músicas, novos paladares,
no meio de universos vastos.

nos últimos tempos, sinto-me demasiadamente feliz.
na companhia de quem mais gosto.
não podia estar mais do que feliz.




atravessar uma fase através de uma ponte.
a eterna juventude.

Wednesday, February 24, 2010

During transference, people turn into a "biological time machine". A nerve is struck when someone says or does something that reminds you of your past. This creates an "emotional time warp" that transfers your emotional past and your psychological needs into the present. In less poetic terms, a transference reaction means that you are reacting to someone in terms of what you need to see, you are afraid of or what you see when you know very little about the person.
Sarah Treem, who last year wrote the story line for Sophie, the young gymnast, and this year handled the April episodes, had the dubious luck of having entered therapy only months before she was offered the job. “April was really close to the bone,” she said at a Prospect Heights, Brooklyn, restaurant after one of her final, 12-hour days on the set. “She’s an overachiever, she’s a workaholic, she doesn’t want anybody to help her. She could be a lot of young women.”
Q.: Back 40 years ago I was married to a woman who secretly threw up after almost every dinner. (I didn’t know to call it bulimia back then, but I knew about it.) Oddly, she insisted that I eat heaping meals with her even though I was not bulimic.

The result was, of course, that I gained weight — a lot of weight. So I was eating almost to compensate for my wife’s eating disorder. I was resentful but saw no way out until we divorced. Then I lost 50 pounds in the next year and have kept it off through exercise and careful eating. It helped that I was highly motivated to lose weight.

But the curious thing was, back then, that while my wife was trying to get or stay thin by vomiting, she was trying to keep me fat. As she would tell me, “Don’t worry about your weight. I’ve got it under control.” That was the issue.

A.: Like all persons in an intimate relationship, the person with an eating disorder may unconsciously or consciously want his or her partner to “play a certain role.” Projecting what one does not want to be into another person can temporarily but spuriously solve psychological problems.

In your case, I imagine that your wife wanted to be the thin one in the relationship and disavow any chance of becoming overweight. You were indeed compensating for your wife’s unconscious wishes to eat and yet stay thin at the same time by being the one who ate. In comparison to you, she could feel even better about herself for being the “thin one.”

This is just an educated guess, though. A therapist could figure this out only in an in-depth couples or individual therapy process.



Chow Mo Wan: Love is all a matter of timing.
The very idea that someone can be addicted to sex is controversial and inevitably leads to chuckles and jokes. Those claiming addiction may be accused of seeking a medical excuse for simple promiscuity.

But while sex addiction is not recognized by the American Psychiatric Association’s Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, psychiatrists have long recognized that there are “clear cases in which people ruin their lives because of sex,” said Dr. Michael First, a Columbia University psychiatry professor who edited the manual. “Hypersexual disorder” is now under consideration for the next edition.

“The question,” Dr. First said, “is how you draw the boundary between a healthy sexual appetite and addiction.”
In two words: im-possible.
Ela - Conheces Gonçalo M. Tavares?

Ele - Não. O nome não me é estranho mas não li. O que é?

Ela - É um ser vivo que escreve livros.



Muitas vezes as coisas que nos tocam mais são aquelas que na altura em que estão a acontecer nem nos apercebemos.

Tuesday, February 23, 2010

a palavra que alcança fronteiras: Eu.
será que tomar quatro banhos por dia faz mal?


If you could save me
From the ranks of the freaks
Who suspect they could never love anyone.
«é evidente que podemos explicar.
é evidente que podemos concluir.
é evidente que podemos curar.
é evidente que podemos abrir 1 consultório e dizer: PAGA!
é evidente que podemos psicanalizar.
é evidente que podemos ter componentes.
é evidente que podemos começar pelo início.
é evidente que podemos ter emoção e razão e céu em cima e terra por baixo. é evidente que podemos comer e não dar por isso, defecar e não dar por isso, fornicar e fecundar e não dar por isso.
é evidente que podemos Regressar.
é evidente que podemos enumerar e dar os nomes certos às coisas erradas.
é evidente que podemos acertar.
é evidente que podemos ter 1 corpo sem falhas excepto a Falha Grande que é MORRER e as outras falhas pequenas que são a dor a doença e a velhice.
é evidente que podemos fixar, explicar, concluir, exemplificar, começar, abrir 1 consultório, curar, receber e pagar, estruturar, desenvolver, ter ideias claras e ideias claras, é evidente que podemos pensar, dançar e depois pensar ou então o contrário é evidente, enfim, de novo, insisto, que podemos explicar, mas é melhor não.»
«O Senhor Valéry era pequenino, mas dava muitos saltos. Ele explicava: Sou igual às pessoas altas só que por menos tempo.»
«... é verdade que se um homem misturar absinto com a realidade fica com uma realidade melhor.... mas também é certo que se um homem misturar absinto com a realidade fica com um absinto pior.... muito cedo tomei as opções essenciais que há a tomar na vida – disse o senhor Henri.... nunca misturei o absinto com a realidade para não piorar a qualidade do absinto.»
«Há exercícios para treinar a verdade como, por exemplo, ter medo. Ou então ter fome. Depois restam exercícios para treinar a mentira: todos os grupos são isto, e todos os negócios.Estar apaixonado é a outra forma de exercitar a verdade.»-
«O que vês quando olhas para onde todos olham?»
porque a tristeza e a solidão de Jorge Palma me deixam bem disposta.
das coisas que gosto que tu não gostas que me fazem gostar de ti.
as letras das músicas devolvem-nos a presença de um amor passado.
retirando, depois de um tempo, a película que afinal, não estamos, de todo, apaixonados.

(pelo menos daquela maneira)
1 is the loneliest number that you´ll ever do.
i love Perfil (reserva).
o meu gato ainda nao percebeu que tal como ele, eu tambem gosto de dormir.

Sunday, February 21, 2010

As pessoas compram uma casa, conduzem um carro topo de gama, têm um ou mais filhos, entre tantas coisas.

Caminhos.

Decidi desde cedo que devo planear comprar mais um ou dois livros, que me permitirão decorar a minha casa, viajar no meu intímo e educar os meus futuros babies.
No Inverno adoro desempenhar tarefas de fada do lar.
Nesse mesmo dia, trocou-se uma palavra, o suficiente para eximi-los de mais alguma obrigação.

Essa palavra, próxima, confiante, dedicada, foi o mote para suspender uma vaga tristeza sem nome, um recheio qualquer sem sabor, um olhar intra uterino, capaz de os proteger do vácuo da própria memória.

Ainda se tentou deixar tudo como estava, estático, contratando qualificados para o efeito,
que infelizmente não conseguiram apagar uma cidade inteira construída por apenas duas pessoas,
no destino desse silêncio.

Provavelmente não foi sequer premeditado o lugar para acrescentar essa palavra.
Não se negociou o momento, o local nem outras coordenadas exteriores à presença de uma dupla solidão.

Sinonima do resultado de que se vinha a perpetuar, esse "sentir-se só" sob o eixo da desconfiança de toda uma vida,
com passagens à frente do espelho, com a liquida rotina de imersão, onde aos minutos se acrescentavam horas,
capazes de descontruir o presente de uma imagem.

Uma palavra. assim, a meio de um dia que não se ouviu amanhecer.

De cabelo alinhado, unhas aparadas,
primeiro cigarro enrolado,hibernou uma palavra, nos meus dedos.

Uma doce palavra, se descontextualizada.
Uma rara palavra, se nos fosse permitido escolher.

Palavra essa capaz de sepultar um inconstante percurso de encontros onde jazia a sensação de que afinal, restou muito pouco por dizer, ou algo que não se podia sequer ser pensado a dizer.

Pelo menos tive a sensação de abrir as persianas.
Se a minha memória não me trair.

Afastavam-me ou desaguavam em horas,
cheias de espaços por preencher. Deixando o resto do Sol encarregar-se de comprovar a sua benevolência,
a palavra teve o seu efeito.

Esta distância segregada nos manuais dos atentos.
Este fechar de olhos que não se distingue do anoitecer.
Essa confiança que ali perto, num lugar desprovido de vestigios, alguém os visse levitar.
Halfway through dinner, I knew I'd replay the whole evening in reverse —
the bus,
the snow,
the walk up the tiny incline,
the cathedral looming straight before me,
the stranger in the elevator,
the crowded large living room where candlelit faces beamed with laughter and premonition,
the piano music,
the singer with the throaty voice,
the scent of pinewood everywhere as I wandered from room to room, thinking that perhaps

I should have arrived much earlier tonight,
or a bit later,
or that I shouldn't have come at all,

the classic sepia etchings on the wall by the bathroom where a swinging door opened to a long corridor to private areas not intended for guests but took another turn toward the hallway and then, by miracle, led back into the same living room,

where more people had gathered, and where, turning to me by the window where I thought I'd found a quiet spot behind the large Christmas tree, someone suddenly put out a hand and said,

"I am Clara."
At the time, most Americans knew AIDS as a disease of gay men, junkies, and Haitians. Randy Shilts's important and influential And the Band Played On (1987) focused on the role of a promiscuous flight attendant, Gaetan Dugas, in spreading the disease to several countries, suggesting that Dugas was the "Patient Zero" of AIDS among gay men. But AIDS was a developing story, and five years later, when I read the article on the conference, it was generally thought that the epidemic had originated among people unknown, possibly in central Africa, and that presumably it spread first not by air but by road.
Agora almoço ou janto sozinha na Portugália, tentando a todo custo esquecer o molho do Império e depois comentando que afinal os bifes nao são tão maus assim quando na realidade são uma merda. Homens parvos e feios, espantados e cobicosos, nas mesas em volta olham enquanto como tremoçoos e bebo imperiais.
Aqui continua a chover. E estou a desmamar o Lexapro. Na vida há sempre uma razão para tudo. E tambem para jamais ter conseguido voltar a ouvir Elvis Presley sem ter uma enorme dor de barriga.


“The world is a stage, but the play is badly cast.”

Saturday, February 20, 2010



curiosidades:

Não se vê, em lado nenhum na grande cidade de Tóquio, lixo no chão.



“A língua é um sistema de signos que exprime idéias e, desse modo, é comparável à escrita, ao alfabeto dos surdos-mudos, aos ritos simbólicos, às formas de polidez, aos sinais militares, etc. É, contudo, o mais importante, desses sistemas.”
eu sou do género de pessoa que só limpa a boca no fim da refeição.
“Broken Embraces” leaves the viewer in a contradictory state, a mixture of devastation and euphoria, amusement and dismay that deserves its own clinical designation. Call it Almodóvaria, a syndrome from which some of us are more than happy to suffer.

Mr. Almodóvar’s characters tend to be stricken with their own versions of the malady — subject to strong and confused longings, surprised by pain in their pursuits of pleasure.

“Broken Embraces” is rated R (Under 17 requires accompanying parent or adult guardian). It has sex, nudity and adult sorrow.
In a lot of your films, you have a cooking scene. Are you good at cooking, and do you have any signature dish?



I can cook a little bit. I can cook a few Spanish dishes. But, in movies, it looks like I cook much better than I cook. I am not the most organized person in the kitchen, but I took a lot of lessons. I played a Brazilian chef once, and then, in Volver, I played somebody who owns a restaurant. I really had to know how to cook, so I took lessons, both times. But, my lessons were more to be the assistant of a chef, so I could learn to cut the vegetables very fast. I can do all of those things really well, but I’m not that good at cooking. We learn to do a lot of strange things with movies. I know how to gallop a camel [from making Sahara]. I’ve learned things that maybe I don’t know if I will ever have to use in my life.
Hong Sang-soo is one of Korea's most highly regarded contemporary directors.
A rather notorious figure on the Seoul film scene, Hong has a fondness for alcohol that is almost as legendary as his talent for filmmaking. He's been known to get familiar with his actors before shooting by taking them on drinking binges, and, for verisimilitude, the many drinking scenes in his films normally include actually drunk performers (who sometimes don't remember these scenes after they've been shot).
Top 5 at a Glance
1. THE KIND DIET, by Alicia Silverstone
2. MASTERING THE ART OF FRENCH COOKING, VOL. 1, by Julia Child, Simone Beck and Louisette Bertholle
3. THE HAPPINESS PROJECT, by Gretchen Rubin
4. SO LONG, INSECURITY, by Beth Moore
5. ACT LIKE A LADY, THINK LIKE A MAN, by Steve Harvey with Denene Millner
"That night in London she pulled herself together and played a final song, a dark version of “I Put a Spell on You.” And then she walked off the stage."
“an atmosphere of blue lights and sad memories.”


Friday, February 19, 2010

- Preciso que me dês a tua opinião sobre a virilidade para um texto que estou a escrever. Mas não sejas demasiaodo viril sff.

- Ok, deixa-me só ir fazer a barba.
Virilidade

Delvaux é uma marca belga que tem uma mala de viagem a mil e quinhentas libras.
Coisa pouca, diria eu.

Dizia-me um amigo muito próximo, que os responsáveis pela cultura da marca eram contra os "trolleys", visto não serem demasiado masculinos.

Se há coisa que me intriga, desde os meus tempos pré-históricos, é esta questão, a da virilidade.

O homem virill ou o viril, por assim dizer.

O homem que não chora, não é pessimista, não é a derrota em pessoa.

O homem que tem projectos (porque um homem viril não tem sonhos, isso é coisa de maricas, salvo o devido respeito), ambições e conquistas.
Chorar já foi mais fácil do que o é, hoje em dia.

Tuesday, February 16, 2010

the people that you love change your life constantly.
1. Time is very elastic.

2. volátil. (compreender para além do significado)

3. "I think I could not negotiate rejection. Frankly.
I think it´s a terrible thing going to parties and you don´t want to tell people that you´re an actress.
Because if they say were have you been and you tell them and they haven´t been able to see what you have done, then somehow what you´re doing is not valuable."

4. fear creates fear.

5. never say never.

6. the aging process happens in stages. Each stage is somehow more expansive. The more introspective you are, the more engaged you are with life.

7. You can´t fall in love when you´re always thinking about yourself.

8. in mi mundo - in my life.

9. you smell a person´s soul and you just feel you want to meet him.

dez. motherhood and mortality.

11. the sincerity and the carnality attracts me.

12. she´s very etereal.

13. Spain is a country of actresses.

14. You know which direction you have to take, you feel fear but an healthy fear.

15. A relação com a nossa mãe não atravessa fronteiras. Acaba por ser a profissão mais comum em todo o lado do mundo.
In the study of communication, persona is a term given to describe the versions of self that all individuals possess.

Behaviours are selected according to the desired impression an individual wishes to create when interacting with other people.

Therefore, personae presented to other people vary according to the social environment the person is engaged in, in particular the persona presented before others will differ from the persona an individual will present when he/she happens to be alone.
já tenho o nome dos capítulos.
colocarmo-nos na situação de alguém, muito diferente de nós, é tão difícil.
quase que me corrigiria e diria que é quase impossível.
Uma história de amor anuncia aos poucos o seu fim.

[sempre foi assim.]

[pelo menos comigo,] tendo a acreditar que tenha sido sempre assim.

não que me interessasse mudar o curso do acontecimento.
[não.]
nunca pretendi antecipar-me a qualquer momento.

Vivi sempre aterrorizada com a dificuldade de terminar fosse o que fosse.
Assim de uma simples vez.

Hoje sei que te vou ligar,
[já me conheço]
ou pedir-te que sejas tu a ligar-me,
[já me conheço]
de modo que me proteja contra a eventualidade de me dizeres que só te ligo para te dar más notícias.
[já te conheço]

E, quando me ligares, dir-te-ei em surdina que a nossa história de amor,
essa história de amor,
falsamente terminada [algures no tempo e no espaço], terminou finalmente hoje.

não sei se porventura, algum de nós acreditará em simultâneo nesta minha verdade.
mas reunidos esforços, poderei conseguir que assim o faça sentir,

hoje,
quando me ligares.
dir-te-ei bem alto que a nossa história de amor,
essa história de amor,
falsamente terminada [algures no tempo e no espaço], terminou finalmente hoje.

desta vez.
mais uma vez.
desta vez, pelas razões erradas.

Nunca soube ao certo se, as razões que nos afastam das pessoas que gostamos podem ser válidas ou sequer valorizadas.

Há todo um conjunto de coisas que não sei.
não quero.
nem pretendo.

de modo a não entrarem em conflito com as coisas que sei.
que quero.
e pretendo.
Nas últimas conversas que tivémos,
sem que eu pudesse crer que fossem as últimas,
disse-te, quando nos despedimos, que gostava muito de ti.

Quero ter para mim que o tenha dito.
Não posso acreditar que não o tenha feito.

Porque é verdade gostava muito de ti.
[não quero que os verbos passem a ser conjugados de modo diferente.]
Gosto muito de ti.

Não quero que a tua existência seja empurrada e arrumada na minha memória para finalmente ser, com o tempo, esquecida.
[não quero mesmo.]

Dizias-me, com frequência absoluta, que sentias muitas saudades minhas.

Legítimas saudades, dizia eu, que te faziam relembrar-me em momentos especiais, dizias tu, tais como a data do meu aniversário, entre tantas outras que te faziam sentido festejar.

Hoje pelo vidro da janela que me separa lá de fora, tento avistar a cidade onde nos encontramos pela última vez.

Lisboa no seu esplendor.

Recordo-me de termos dado um abraço.
E sorrido.
O meu sorriso, foi a forma com que consegui evitar mostrar-te as minhas lágrimas e finalmente, recusar antecipar a vivência de um sofrimento causado pela distância sem dias contados.


Hoje pelo vidro da janela que me separa lá de fora, tento recuperar
todos os momentos que vivemos,
todos os desabafos em forma escrita,
todas as conversas madrugadoras, inclusivamente o teu pedido que eu voltasse a visitar-te.

Se ao menos, te tivesse dito.
Enfim, não [posso nem] quero acreditar que não te tenha dito.
um simples adeus.
Hoje recebi a notícia de que ele finalmente tinha cedido.
Entregou tudo o que lhe restava, o pouco que tinha, para que não fosse possível continuar aquele caminho que se arrastava nos seus pés.

Conhecemo-nos em idade adulta, e a partir de então conversavamos horas a fio, sobre pequenas trivialidades que nos acompanhavam, sobre pequenos momentos de nada que enchiam a sala de gargalhadas e boa disposição.

E no meio de desabafos, incertezas dadas por certas, violentos abraços e declarações de amizade, hoje choro profundamente a sua partida para um próximo dia que se calhar não o voltarei a ver.

É assim.
A vida é um processo contínuo de aprendizagem.
Um duro processo contínuo de aprendizagem.

O que me vale é que neste processo sem fim, não tenha ainda aprendido a desvalorizar a morte de alguém próximo.

Porque a partir de hoje,
faça sol, faça chuva,
acorde bem ou mal disposta,
ganhe ou não a lotaria,
beba ou não uma cerveja,
seja ou não a minha pessoa,
dê ou não a minha opinião,
defenda ou não o meu ponto de vista,
faça ou não amor,
leia ou não o meu livro de cabeceira,

não me esquecerei que gostei muito de te conhecer.
nesse lugar a que infelizmente não poderei regressar.
I should give him space for his despair.
people need to suffer so that they can assure themselves that they´re living.
stilness.
"When someone tells you who they are, believe them the first time"

We invent people, despite the fact there is so evidence in contrary.

Which impression should we respond to?
which behaviour you get away from reality.
we get lost in words and forget reality.
too early old, too late smart.
People want to define you.
You want to have an opinion because you want to feel safe.
so you drop conclusions, you want to identify them with something else and you´re not always right.
Life is relative.
It´s not relative, at all.
Do you feel like you know when someone exposure something to you that it´s their essential truth?
I don´t think you can see someone properly unless you know yourself.
Most of us don´t know ourselves.
But I guess that I´m pretty well examined by myself. How violently wrong, how deeply wrong I can be.

People always tell you what they know. People love to have opinions so that they can feel secure.

What enders me to people is what they don´t know.

Monday, February 15, 2010

You go home at the end of the night, not being able to eat, without the profound sense of living with the development of this character.
recordo-me frequentemente de episódios que já não fazem mais parte da minha vida.
será que é o instinto irracional que nos conduz à decisão?
a partir de que momento é que conseguimos estar preparados para "qualquer coisa"?
destaco sempre frases que escrevo, de modo a que num momento posterior seja reencaminhada facilmente para esse lugar que pretendo redescobrir.
As pessoas só se parecem naquilo em que se distanciam.
Há pessoas incríveis que escrevem coisas incríveis, tais como:

"As melhores decisões são aquelas que se tomam cá dentro, que não se exteriorizam, publicitam ou prometem. Para mim as melhores decisões são as que defino no meu silêncio."
No outro dia, passei os olhos pela telenovela.

Confesso que raramente mantenho a televisão ligada quando está sintonizada com as escolhas de alguém que por norma não conheço mas liguei-me à programação local para assistir a um programa do qual a minha melhor amiga, a C. , é editora.

Na sequência de contextos,
próprios de algo como "a telenovela",
fiquei intrigada com uma situação em particular.

Uma mulher, cujo nome desconheço, confidencia a outra mulher, cujo nome desconheço também que iria fazer tudo por tudo para que o seu noivo (calculo que seja noivo porque a dado momento se falou em preparativos e lua de mel)
se apaixonasse por ela.

Entristeceu-me.
Sou facilmente levada a determinados sentimentalismos extremos que nem eu própria entendo, eu sei.

Entristeceu-me porque o amor não é uma lição que se aprende.
E digo isto porque já em mais do que uma ocasião julguei que fosse, levasse o tempo que levasse, capaz de aprender a amar.
Inclusivamente saiu-me desta boca, que "sim, que era possível aprendermos a amar".
Mas convenhamos que não passou de fruto da circustância.

Ou seja para mim o amor não é uma lição que se aprende mas sim uma lição onde se aprende.

As pessoas ou nos fazem felizes ou então não nos fazem felizes.

Essa sim foi uma lição pesarosa, sobretudo porque envolveu o meu afastamento a pessoas que me poderiam ter feito muito feliz apenas como amiga e nada mais.

Caso tivesse o contacto da actriz, teria ligado a meio da novela para lhe assegurar disso.

Mas como não tenho, só me posso limitar a aceitá-la como é e caso seja necessário, a confortá-la quando perceber isso.
hoje foi o melhor dia do ano.

não me posso queixar porque tenho sido afortunada, mas de facto este dia 14 de Fevereiro teve um particular significado.

partilhei-o com pessoas que crescem diariamente dentro de mim.

H., meu pai, Wes Anderson, Cate B., Natalie P., Charlie Rose, Catarina M., P. e finalmente comigo.
o meu caderno "Paul Smith" acompanhou desde Outubro até aos dias de hoje.

está preenchido com pensamentos que se desenvolveram em forma escrita.

porém, só terei o conforto do meu passado por mais dez páginas.

com isto o que quero dizer é que sinto-me ambivalente.

triste por brevemente arrumar na minha estante mais um diário.
feliz por atribuir um significado promissor à minha vida.
gosto muito dos meus amigos.
é uma verdade absoluta.

uns sabem disso e outros desconfiam disso.

provavelmente gosto mais deles
quando não assumimos formas de estar diferentes nem por conseguinte,
defendemos pontos de vista semelhante.

(se bem que os meus amigos assumem sempre posições diferentes das minhas e muitos partem do pressuposto que eu gosto de ser do contra, valha-me a paciência).

Mas apesar de estar latente na amizade esse poder de escolha, que os faz distinguir de toda uma massa cinzenta, anónima e estranha,
os nossos amigos acabam por ser, através de um livre arbitrio, impostos por terceiros.


Conclusões:

. agradecer aos meus pais por me terem oferecido amigos excepcionais.

. condená-los porque vou morrer sem ter a oportunidade de conhecer a Cate B.
Há toda "uma qualquer coisa" que ela tem que nunca encontrei em todas as pessoas que conheci até hoje.

E a isso eu gosto de chamar, coerência - esse traço humano que aprecio.
Hoje foi o dia dos Namorados.

Sentada à mesa de jantar de nossa casa, em que não só tomamos refeições, como passamos boa tarde da nossa vida ligados às nossas pesquisas cibernéticas - das quais se destacam literatura, música e cinema, o meu querido H. disse-me algo tão interessante como o seguinte:

"- É para isso que os namorados servem. E as namoradas também. Para nos dizerem o que gostamos de ouvir. Já que lá fora não temos controlo."


Eu acho que, uma vez que não gosto de ter certezas, encontrei aquilo a que chamam de cara-metade.

Deus nosso Senhor me auxilie e ilumine, a partir de agora.
não discuto géneros com ninguém, sobretudo com o meu pai.
ele tem de perceber que o meu nível mental está acima do sexo dos anjos ou lá como é que isso se chama.
Posto isto, let the show begin!

Saturday, February 13, 2010

- Tu tens uma onda Hertziana lixada.

- (sem comentários)
comprei cereais.
de certa forma, é o modo mais económico de regressar à minha infância.

Friday, February 12, 2010

nao tenho no meu corpo lactase.
eu sabia, desde sempre que havia uma razao para detestar leite.
eu so gosto de lemon chas!
amanha faco um mes de explicacao com o A.
prometi-lhe, como se portou lindamente, que iriamos ao macdonald s. (ele nao esta nele ...)
a A,, mae do meu explicando, adorou as chamucas.
hoje troquei o motorista de taxi pelo chauffeur de autocarros!
nao sei o que pensarao os co-mutuarios da minha pessoa.
(nao sei se em direito se diz mutuante ou mutuario ... a minha duvida divide-se)
Gostaria de, por vezes, nao ser tao preconceituosa. Que mal fiz eu a Deus?

Wednesday, February 10, 2010

tive de cancelar o almoço com o meu querido M. por estar a atravessar o equinócio da inflexibilidade há dois dias.
de uma maneira geral, acho os advogados muito chatos.
mas pior do que os advogados - esses poderiam ter sido colegas se tivesse sido menos ajuizada - são as pessoas que nos dão a sua opinião sem que a tenhamos pedido.
- caixa de dvds do Eric Rohmer
- queijo Tallegio.
Itens novos:

- torradeira
- novo conjunto de facas
- tabua de madeira
- espremedor de citrinos
- termo de água
- conjunto bule mais chavenas de chá
- Monocle
- cabedal e fio de algodão
- mala nova
- sabão de glicerina
- gel e creme de manga
- chamuças
- vestido da FCUK
- vestido da Africa do Sul
hoje liguei à minha irmã.

passado 5 minutos ela ligou-me.

nessa linha reside uma cúmplice saudade.
Desde os meus seis anos que escrevo que a minha mãe é a mulher mais bonita do Universo e quando lhe transmito essa "novidade", ela pergunta:

"- Achas mesmo?"
manhã:

Pai - A revista é a Monocle?

Eu - Sim.

tarde:

Mãe - O vestido é preto?

Eu- Sim.

Eles são diferentes mas nunca me poderão acusar de não ser igual.
os meus pais estão casados há mais de trinta anos.

e são completamente apaixonados um pelo o outro.

e isso, aquece o mon coeur.
o meu pai não tem facebook!
os castigos inflingidos pelos meus pais eram, de facto, muito originais.
Os meus pais já não me pedem para me portar bem quando se ausentam da cidade onde vivemos.

Já não me pedem isso há mais de treze anos.

Acho que já sou adulta.
Shame on them.
- Vocês são casados em comunhão dos adquiridos?

- Sim, tu és metade minha e metade da tua mãe.
o que mais gosto nos nossos serões familiares é aquela linha de riso tangível que me deixa num estado de alma misericordioso.
Tarde

No cabeleireiro, enquanto a menina Olivia me esticava o cabelo, numa revista, topei com as tais fotografias da Clara Pinto Correia. Não são provocadoras ou aliciantes. Não são sequer bonitas. São só desinteressantes. O orgasmo feito numa coisa qualquer. O marido da Clara Pinto Correia poderá ter maravilhosas competências - a sua língua, a ponta dos seus dedos mãos, a sua voz - mas é um mau fotógrafo.


“Everybody else is working to change, persuade, tempt and control them. The best readers come to fiction to be free of all that noise.”
A vida devia vir com um livro de instruções. Um livro assim deve haver por aí. Qualquer coisa onde se explique por exemplo, que é impossível fazer uma boa entrevista ao Caetano Veloso para televisão sem que fiquemos com vergonha do entrevistado e da entrevistadora que tenta e tenta e ele não deixa porque tem a mania que o mundo é entediante. O Caetano é o exemplo vivo daquilo que costumo dizer, nunca se deve conhecer a pessoa por trás da coisa. As pessoas por trás da coisa são sempre piorzinhas, têm barriga, dizem banalidades que não queremos ouvir, são apaixonadas por elas próprias e estão sempre a dizer que não são. A partir de uma certa altura o Caetano apaixonou-se pelo Caetano e pelo tédio que os outros lhe provocam. Não tem nada a provar, sabe que aquele bocadinho de bom que é (ele diz que é só um bocadinho), chega e sobra aqui para a maralha.
Eu, se Deus quiser e trabalhar e tiver sorte, apaixonar-me-ei por mim mesma também e nunca mais vou precisar agradar a ninguém. Ser uma pedinte amorosa, uma ladra da gargalhada alheia. Hei-de fechar-me em casa a beber muito chá verde brochante, com os meus livros, os meus discos e os meus filmes e nunca mais cortar as unhas.


"I only have two rules for my newly born daughter: she will dress well and never have sex. "


When was the last time you did something for the first time?
Apetecia-me beber um saké com particulas de ouro.

Thursday, February 04, 2010

A "eu-sei-tudo e mais alguma coisa"

A nossa existência assemelha-se a um arquipélago. É formada pela ilha que somos e pelas várias pessoas-ilha que nos rodeiam.

Tive oportunidade de concluir essa verdade absoluta no dia em que me apercebi que no Mundo existiam mais pessoas para além de mim.

Trágico momento, se é que me é permitido o desabafo.

Chamou-me à atenção,
como não poderia deixar de chamar, uma vez que se ouve em todo o lado,
o género de pessoa "eu-sei-tudo-e-mais-alguma-coisa",
sobretudo quando me revi a desempenhar, por breves instantes, esse papel.

Confesso que, com a idade amadurecida e alguns bons conselhos nunca recusados por parte de terceiros,
no tempo certo, despedi-me desse cargo.

Em primeiro lugar, apercebi-me que há espaço para uma opinião contrária à minha, mesmo que seja sobre um facto histórico, algo concreto, pontual e objectivo que chegou a existir.

Por último, quem sou eu, apesar de ser um doce de pessoa, para achar que tenho razão, seja no que for.
Quando já se comprovou por A mais B que o "convém ficar calada para não fazer figuras tristes" é o melhor conselho da minha consciência.

No entanto,
e convém acrescentar sempre que não é em tom de crítica,
para não vir o "outro" dizer que eu tenho a mania que sei tudo,
existem pessoas que "sabem-tudo-e-mais-alguma-coisa", destacando-se deste universo, as mulheres.

Eruditas.
Sábias, por excelência.
Formadas nas mais distintas e prestigiadas faculdades do Universo.
Mulheres cuja inteligência deveria ser estudada a nível científico.

Salienta-se deste grupo heterógeneo,
não descurando todas as outras raras inteligências, merecedoras da minha atenção,
a idiota.

A querida idiota.

Eu acho que a idiota-que-sabe-tudo-e-mais-alguma-coisa é muito querida e é, sem dúvida, das "eu-sei-tudo-e-mais-alguma-coisa" que mais se esforça para dar a sua opinião.
E, por conseguinte, devemos reconhecer e abraçar as pessoas que se esforçam.

Descrevendo-a em linhas gerais, etéreas e comprometdoras,
a "eu-sei-tudo-e-mais-alguma-coisa" tem uma caracteristica deliciosa, irrita-se quando interrompe todos aqueles que interrompeu num momento prévio.

Mas o que a torna ainda mais distinta, pelo menos aos meus olhos, é o facto de ser capaz de prender o burrinho, apesar de não ser camponesa, durante horas a fio.

Por norma, é magra.
Não tem acne.
Não usa base.
Gosta do sabor que o gloss lhe deixa nos lábios e finalmente fuma.

Fuma porque é nervosa, emocionalmente instável e com um agregado familiar conturbado.

Mas nunca ninguém nos disse que a vida era fácil.

À idiota que sabe-tudo-e-mais -alguma-coisa, só posso, porque não tenho muito para dar, oferecer-lhe uma sugestão.

Porque também sei dar, quando é preciso.
Sobretudo a outra face.

Deste modo, o conselho saído das profundezas do meu ser, consiste no seguinte: "Antes de quereres ser ouvida, tem o cuidado de te ouvir."
E não digo isto, convém frisar, de um ponto de vista mais elevado.
Digo isto de coração.

E passo a justificar-me, porque temos sempre de arranjar justificações que sirvam para alguma coisa, nem que seja, para nos justificarmos.

Deve ouvir-se porque tem de actualizar os disparates que tem gosto em dizer.
E como ja dizia "o outro que tem a mania que sabe-tudo-e-mais-alguma -coisa"quem avisa, teu amigo é.

Wednesday, February 03, 2010

sexta ligou-me a minha avó G.
sábado ligou-me a minha irmã.
domingo ligou-me a minha mãe.
segunda e terça ligou-me o meu pai.
na madrugada de quarta ligou-me o meu tio.

adoro que me liguem.
mas como é que eu posso explicar, sem ofender, que preciso de tempo para estar em silêncio para produzir.

eu sei que os nossos reencontros ao telefone serviram para me dar força, alento e ânimo.

a aristocrata da minha avó G. começou-se a rir mal atendi o telefone.
a minha irmã começou-se a rir passado 1 minuto.
a minha mãe controlou o riso.
o meu pai descontrolou-se a rir.
e o meu tio identificou pela linha telefónica o meu sorriso.

Acho que somos uma família de riso fácil.
hoje, depois de ter estado uma hora à conversa, revelei ao meu pai que ele é o meu melhor amigo.
o meu melhor amigo do Mundo inteiro.
ficou vaidoso.
sabe que eu sempre fui boa aluna a economias e saber o que significa o custo de uma escolha.

como agradecimento, convidou-me passarmos uma boa noite de jazz em Hong Kong mas sem antes jantarmos num restaurante italiano que estou desejosa de conhecer.